Setor de combustíveis responde por 25% do ICMS estadual, aponta estudo

O setor de combustíveis e lubrificantes é responsável por 25% de toda a arrecadação de ICMS no Brasil. Os dados são de um estudo elaborado pela LCA Consultoria Econômica a pedido do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) e revelam a dimensão estratégica de uma cadeia que vai muito além dos postos de gasolina.

No total, o setor gerou R$ 210 bilhões em tributos em 2024, sendo R$ 152 bilhões apenas em ICMS — o que o coloca como um dos maiores sustentáculos das finanças estaduais no país. No mercado de trabalho, o setor também deixa marca expressiva. O comércio de combustíveis empregou 425 mil trabalhadores formais em 2024, enquanto o segmento de lubrificantes respondeu por outros 22 mil postos de trabalho, totalizando 447 mil empregos formais. A massa salarial combinada chegou a R$ 18,6 bilhões, com impacto direto sobre a renda e o consumo das famílias brasileiras.

Os números da logística ajudam a dimensionar a capilaridade do setor. O Brasil conta com 189 distribuidoras, 361 bases de distribuição e cerca de 45 mil postos revendedores, que juntos comercializaram aproximadamente 137 bilhões de litros de combustíveis em 2024. Para dar conta desse volume, foram realizadas 3,6 milhões de viagens rodoviárias, percorrendo 1,3 bilhão de quilômetros — o equivalente a 90 voltas completas ao redor da Terra por dia.

Os combustíveis líquidos e biocombustíveis representam 45% da matriz energética nacional e são responsáveis pelo transporte de 65% das cargas e 95% dos passageiros movimentados no Brasil, o que torna o setor indispensável para o funcionamento cotidiano do país.

O custo de uma eventual crise de abastecimento

O estudo traz um dado que evidencia o peso macroeconômico do setor: estimativas do Banco Central e da FGV indicam que uma interrupção de apenas nove dias no abastecimento poderia provocar perdas entre 0,5% e 0,7% do PIB — algo em torno de R$ 9,1 bilhões por dia. O número coloca em perspectiva o que significaria uma crise energética do tipo para a economia brasileira.

O setor também investe de forma crescente em pesquisa, desenvolvimento e descarbonização. Em 2024, empresas da cadeia de petróleo destinaram R$ 4,2 bilhões a P&D e inovação, dos quais R$ 1,2 bilhão foi voltado à modernização logística e de infraestrutura. Entre os projetos em andamento estão R$ 280 milhões em terminais multimodais, R$ 394 milhões em contratos de transporte dutoviário de etanol até 2029 e R$ 190 milhões na ampliação de bases de distribuição.

Na frente ambiental, as distribuidoras apostam no etanol de segunda geração (E2G) — tecnologia capaz de ampliar a produção em até 50% sem expansão das áreas cultivadas — e no diesel R5, que incorpora 5% adicional de diesel verde e pode reduzir até uma tonelada de CO2 a cada 8,7 mil litros consumidos.

No segmento de lubrificantes, o Brasil ocupa a quinta posição no ranking global e é referência em economia circular. Em 2025, foram recolhidos cerca de 634 milhões de litros de óleos lubrificantes usados em mais de 4.500 municípios. O rerrefino já responde por 20% da oferta nacional de óleos básicos, reduzindo a dependência de importações.

"Estamos falando de um setor que garante a mobilidade de pessoas e mercadorias em todo o território nacional, gera emprego e renda, sustenta uma parcela relevante da arrecadação dos estados, investe de forma consistente em inovação e logística e avança de maneira concreta na transição energética", afirmou Mozart Rodrigues, diretor executivo da entidade.

Fonte: correiobraziliense