Nesta superquarta (18), nem o petróleo vai roubar os holofotes dos bancos centrais. Os investidores já tem uma (quase) certeza: o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve manter os juros inalterados. Mas o que todos querem saber mesmo é: e daqui para a frente? O BC dos EUA divulga o relatório de projeções, apelidado de “dot plot”, que pode fornecer pistas sobre quais as perspectivas de haver novos cortes de juros em 2026. Por aqui, a superquarta virou teste de nervos e de calculadora. Com a alta do petróleo e a possibilidade de um choque de preços de energia mais duradouro, a visão sobre os rumos da Selic ficou embaralhada.
Enquanto você dormia…
- Mercados globais aguardam os acontecimentos da superquarta: os futuros das bolsas de Nova York prenunciam um pregão mais para o positivo. Pelo menos até a decisão do Fed no meio da tarde: às 7h25, o S&P 500 futuro sobe +0,52% e o Nasdaq futuro avança +0,68%.
- Na Europa, as bolsas sobem com o recuo do óleo e os bancos. O Stoxx 600 avança +0,61%.
- Na Ásia, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, fechou em alta de +2,87%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, terminou com alta de +0,61%.
- O índice dólar (DXY) sobe +0,05% aos 99,58 pontos. O petróleo Brent segue em leve queda de -0,05% a US$ 103,37 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos estão em queda a 4,183% ao ano.
Destaques do dia
- Superquarta com roteiro menos óbvio: Fed e Copom decidem juros nesta quarta-feira, com o banco central americano divulgando a decisão às 15h e o Copom soltando o comunicado a partir das 18h30.
- Nos EUA, a expectativa predominante é de manutenção, com o mercado atento ao tom sobre inflação, petróleo e trajetória de cortes. No Brasil, o consenso ficou menos confortável: a aposta que era majoritariamente de corte de 0,5 ponto migrou para 0,25 ponto, e parte do mercado já admite manutenção da Selic em 15% ao ano.
- E daí? Para os ativos locais, o recado importa tanto quanto a decisão. Juros, câmbio e bolsa podem reagir mais ao texto do Copom e ao tom do presidente do Fed, Jerome Powell, do que ao número em si.
Giro pelo mundo
- Petróleo respira: Brent recua nesta manhã após acordo para retomada de exportações via Ceyhan, embora a guerra no Oriente Médio siga no radar.
- Fed no foco: a expectativa é de juros estáveis nos EUA, com mercado olhando principalmente para o “dot plot” e a fala de Powell.
Giro pelo Brasil
- Tesouro em ação: o órgão realizou nos últimos dois dias a maior intervenção da história no mercado de títulos públicos, após uma disparada da volatilidade. O Tesouro realizou quatro leilões de recompras de prefixados e papéis atrelados à inflação, por meio dos quais injetou R$ 44 bilhões no mercado.
- Selic em aberto: a alta do petróleo embaralhou a leitura para o Copom e reforçou a tese de corte menor, de 0,25 ponto.
- Inflação e petróleo: o Ministério da Fazenda elevou a projeção de inflação de 2026 para 3,7% após o choque do petróleo.
- BC desfalcado: o Copom segue com duas cadeiras vagas no conselho, em meio a atrasos políticos nas nomeações.
Giro corporativo
- Natura em nova fase: a companhia relançou a Avon no Brasil e no México com foco em público mais jovem, digital e de menor ticket, em resposta ao consumo mais apertado; a Avon Brasil caiu 11,5% em receita no quarto trimestre.
- Eneva vai às compras: a empresa comprou a fatia de 20% da Atem no campo de Japiim e passou a deter 100% do ativo, que fica a 35 km de Azulão e ainda depende de aval regulatório.
- General Mills vende Yoki: a companhia vendeu sua operação no Brasil para o grupo 3corações, em uma transação avaliada em cerca de R$ 800 milhões. O acordo inclui marcas icônicas no país, como Yoki e Kitano.
- Petrobras aumenta portfólio: a estatal acertou a compra das fatias da Petronas em dois campos offshore por US$ 450 milhões, em movimento de consolidação do portfólio.
Fonte: investnews